quarta-feira, 1 de julho de 2015

Oh, incessante cidade!


  Por que não falar da cidade? A beleza do mar e o cheiro do mato não podem ofuscar a sutil graça da cidade. Os arranha-céus não são como as árvores monstruosas que nos surpreendem no passeio pela floresta, porém, são igualmente assustadores com suas linhas milimetricamente calculadas e a exatidão das alturas e larguras. É um enorme monstro de cimento. Ah, o cimento! Nosso amigo de mais afinidade neste recinto construído e chamado de cidade. Cimento! Que faz o trem mover e o prédio levantar. O que há de tão belo em não poder ver as estrelas? Simples, poder enxergar o brilho das luzes das casas que transformam o morro em uma imensa árvore de natal.
  E os sinais de transito mudando de cor, fazendo a dança de carros e pedestres, em perfeita harmonia e desespero. Esses sons que entram pelos meus ouvidos, que são tão poucos – só dois – para capitar tanta mensagem auditiva. Ouço buzinas, a bomba enchendo o tanque do carro, alguém gritando “ladrão”, passos apressados. Vejo camas improvisadas. Que linda é a criatividade daqueles que não têm o que ter, porém, precisam continuar vivendo. O comércio de algo novo, o chinelo remendado, o copo de moedas, aquele canto do lado da loja que virou quarto de hotel, ou vulgarmente chamado de “lugar para passar a noite”.
   Os “bom dia” dos vizinhos, o sorriso da criança que acabou de ganhar um picolé. Um ônibus que não parou quando aquele moço fez sinal, e o moço pôs-se a fazer outro sinal. A chave que caiu do bolso da menina, mas ela andava muito rápido para ser avisada. O ar da manhã misturado com os diversos perfumes da cidade. Mas aquela de verdade, com direito a valão e perfumaria convivendo em perfeita harmonia.  



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