quarta-feira, 8 de julho de 2015

Punhado contra a vida


  Botei o copo na mesa, bem aqui, onde você observa nesse momento, não o copo, a mesa. Tirei para beber café, não a mesa, o copo. Então a arrumei, a mesa. Fiz uma salada de frutas para acompanhar o leite condensado, não a mesa. Mas passei um pano depois de sujar, não na salada, na mesa. Espetei o dedo na agulha que esteja a espera de minha costura, em cima da mesa. Coloquei os moldes nela, não na agulha, na mesa. Comecei a fazer uma serie de dobras, no pano, não na mesa. E saí enfiando a ponta por entre as dobras, da agulha, não do pano. E prendi a cabeça num treco, no sentido figurado, não no físico. E fiquei no chão.
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  As guerras simplificam a vida, as armas tiram o viver. A guerra dita que viver é fugir ou morrer. A arma dita que viver é servir ou morrer. E a vida é muito maior e mais complexa do que isso. Incógnitas tornam-a bonita e experimentável, bem como questionamentos e sorrisos. A guerra não veio para acabar com o ser humano, veio para acabar com a vida. É possível ser humano e não ter vida, juntamente. Assim como é possível ter remorso, amargura, medo, submissão, dor. Pare de fazer os outros sangrarem a alma, guerra, doe teu sangue para aqueles que já exauriram todo o próprio e morra em paz com a convicção de que fez o bem quando nada fez.


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