quarta-feira, 10 de junho de 2015

Vende-se amor

Pesquisei no Google “histórias de amor”, só encontrei bobagens e coisas desnecessárias. Procurava por algo interessante, que desse para contar para gerações. Apenas achei o que não se devia achar. Amor é uma palavra enfeitada demais. É algo puro transformado em pó. Com o exagero e afobamento da sociedade em relação a essa criatura figurada, nos deixamos acreditar que o amor é qualquer coisa. Qualquer um diz “eu te amo”. Que palavra sem sentido é essa, amor.

A maioria dos verbetes [se é que pode-se assim chamá-los] faziam referências a propagandas de produtos. Perfumes, chocolates, refrigerantes... O amor pareceu só mais um produto a venda na grande loja da internet. Por diferentes preços, em promoções, a vista ou em parcelas. O amor vem embalado em uma caixinha cor de rosa com laçarote vermelho.

Percebi uma boa recepção dos clientes para esse produto. Acho que vende. Basta preparar uma boa campanha comercial. Trilha sonora? Pelo visto acho que Thinking Out Loud seria uma boa ideia. My heart will go on nunca sai de moda. Lulu Santos? Renato Russo? Chico Buarque? Nunca dispense os clássicos. E o comercial? Quem sabe se mostrar a felicidade de pessoas e dizer que isso é amor? Deve ser uma boa estratégia. Quem sabe com uma dose certa de polêmica, minha marca pode se espalhar pela internet e eu vendo o meu produto como banana. Estarei assim espalhando amor em caixas coloridas levando em destaque o nome do meu produto. Isso sim é amor!


Eis que então, no meio de tanta podridão capitalista que o Google me apresenta, vejo uma simples frase que muda tudo. Que faz tudo ficar diferente. “Amor não se entende e nem se representa.” Fui dormir com a plena consciência de que eu não entendia o que aquilo significava, um dia, quem sabe, alguém me explique. Quero tirar minhas próprias conclusões.



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