Uma das coisas mais
empolgantes que deve haver é ser citado. Não digo uma citação torpe e fútil,
algo qualquer que tenhamos dito no meio da rua. Não, isso não. Falo de uma
citação sincera, de uma frase, por nós escrita, repetida por uma multidão ou
simplesmente por um louco desconhecido. A simples loucura de um homem ou uma
mulher qualquer estar por aí levando suas palavras é algo muito excitante e que
faria qualquer escritor especialmente feliz.
Por hora, são poucas as
minhas frases que se podem ser citadas. Não sou um frasista ou um poeta de
haicais. Ser cronista tem dessas coisas: às vezes, o que dizemos é o óbvio, o
claro, o patético. Ora para que citar o óbvio? Se é para dizer o óbvio, que seja
ao menos original. Ninguém quer citar o óbvio. Não se vê pelos cantos dizer: “‘Não tenho ambições nem desejos’ como
diria Pessoa” ou “Já dizia Cecília Meireles ‘Minhas
mãos ainda estão molhadas’”. O óbvio não é repetido, não é reproduzido, não
é reeditado. É óbvio.
Sendo assim, me faltam
palavras mais poéticas, com um sentido mais rebuscado, com uma certa melodia
pincelada e uma pitada de melancolia. Para ser citado, ainda falta remodelar
meus versos e fazê-los em ordem invertida. Sucumbir artigos, quem sabe? Talvez
rimar durante prosa pra que seja, a citação que este autor almeja. Fazer
sucesso não deve de ser tão difícil.
Para que minhas palavras
façam eco, talvez precise gritá-las no banheiro, desligar o chuveiro, acender a
luz e proferir Camões em ordem inversa. Para que minhas palavras façam eco,
talvez precise gritá-las uma caverna, numa taberna, no planalto, na chuva. Tudo
fica mais bonito de se ouvir na chuva. Até o óbvio? Até o óbvio. Dizer eu te
amo a quem se ama fica mais bonito debaixo da chuva. E se for óbvio, a beleza
continua lá, molhada.
Talvez eu seja somente
um chato. Sim, um chato. Estou aqui querendo ser citado. Querendo que me leiam
e me repitam por aí. Devo mesmo ser assim chato. Quem me lê não deve me considerar
para ser citado. E não me citam porque eu sou chato.
Pois bem, já dizia
Millôr Fernandes: “Chato... Indivíduo que
tem mais interesse em nós do que nós temos nele.”

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