quarta-feira, 1 de abril de 2015

Inexistente existência



  Hoje parei em frente ao espelho e observei. O que observei? Eu mesma, claro. E o que vi foi intrigante. Não me vi, eu, pessoa, havia apenas um ser inanimado me observando. Ele tinha meus olhos, minha boca, meu cabelo, meu nariz. Tinha tudo que me pertencia mas não era eu. Talvez tenha me roubado de mim e projetado no espelho. O que era aquilo, eu? O que fazia nesse mundo? O que seria esse mundo? Uma ilusão da realidade e a realidade da ilusão. Palavras, pessoas, teorias, contas, objetos, seres, árvores, universo, tudo, tudo. O que era? Nada e tudo ao mesmo tempo, acredito. Isso tudo pode não existir e existe sendo tudo o que conhecemos. Posso olhar pra um ponto e não ver o ponto. Ou ver e meio segundo depois não vê-lo. A mutação do que está em nossa volta se dá na não existência real da mesma. E esse não existir existindo nos destrói sempre e aos poucos, por estarmos mexendo com o que não é, acreditando ser.


Um comentário:

  1. Em breve, o que não é! Hahaha, desculpe, não pude me aguentar, ótimo texto haha

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